o que acontece quando a tuberculose anda pela cidade vestida (ou travestida) de um jovem fútil, melancólico e cool?


























 
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alguém que demora, mas eventualmente se situa sobre os acontecimentos mais banais... esse é André B.. imerso em pensamentos, conjeturas, teorias e rimas, constantemente se apaixona pelo mundo e pelas pessoas. adora conhecer gente, trocar idéias, ouvir histórias, compartilhar sons. é fanático por música, arte em geral. bailarino por essência, seu corpo infectado acaba sendo um canal com o qual se comunica consigo e através do qual capta o mundo pelos poros. um tanto blasé, mas caloroso, está sempre em busca da próxima emoção. sonhando e suspirando. seus olhos não se cansam de brilhar.



























tutu veste André B.
 
Quarta-feira, Março 16, 2005  

8:46 PM Comments:

 
Uma instalação viva no espelho que tomava toda uma parede do cômodo: três Andrés B., nus e de anorexia a la Calvin Klein, a grande cama com lençóis desarrumados, as roupas em cima da cômoda ao lado do celular desligado. O sol da manhã se espreguiçava pelas frestas da veneziana que fingia cobrir a janela, embora nevasse dentro de André B. (e do quarto também).
Ele tentava colar os cacos de uma noite de sexo vazio. Daqueles embrulhados com fita de seda e arrematados com um adesivo do tipo "Você é a pessoa por quem procurei a vida inteira". Quantas vezes ele já não havia comprado itens dos quais não precisaria nem em três reencarnações, apenas por ter sido fisgado pela labia de um marketing descarado e sedutor? Pois, é... mais um step back!
Enquanto tutu dava tapinhas no rosto ("A que horas começa o churrasco daquela tua amiga, hein?!) em busca de um pretenso look ready to go, André B. examinava seu lindo corpo, e enxergava nele um cadáver mutilado de Guerra Mundial. "Vamos embora?", seu amante perguntara, ao que André B. dava o último nó dos tênis Osklen. Um beijo na boca, óculos escuros e "A gente se fala". Ele sabia que era o fim.

8:28 PM Comments:

Domingo, Março 06, 2005  
Por enquanto vem sendo possível a André B. equilibrar seus afazeres profissionais com momentos reconfortantes (tutu ri, aqui ao meu lado, de meu lapso de vocabulário... reconfortante não era exatamente o adjetivo mais apropriado) junto a seus amigos. Leila Maria e sua performance na Vinícius de Moraes (André B. arregimentou-lhe novos fãs) quando tutu, extasiada, tomou banho de chuva. "Hoje eu deixo!", sorria André B.. Ontem, a festinha surpresa preparada pela mãe da Lulu, parceira de André B. no projeto da Universidade de Cambridge. Pequenas e significativas felicidades.
1:39 PM Comments:

Domingo, Fevereiro 20, 2005  

7:58 PM Comments:

 
Muitos dias sem uma palavra sequer. André B. volta reluzente ao trabalho (tutu a tiracolo), Bubble Gum chega a seu fim, fantasmas do passado ensaiam seus ressurgimentos, novas luzes desejam perfurar as nuvens. Em uma fase autofágica, André B. volta a curtir seus cantos, músicas, cartas e aulas. Sua casa, como um verdadeiro refúgio, oásis; não mais o cárcere de meses atrás. Ontem, foi difícil tirá-lo de casa! tutu reclamava, "Vê se liga esse ar-condicionado e sossega esse facho em casa! Estou exausta, porra!", mas era dia de comemorar o niver da Ni, parceira de tantas aventuras.
Destination: Passeio Público Café. André B. já antecipava a decepção das bolsinhas das patricinhas na pista de dança e dos cordões dourados dos mauricinhos brilhando e saltando para fora de suas camisas cafonas. Graças aos desencontros (duas convidadas problemáticas faltaram), André B. acompanhado da aniversariante e seus convidados, começou um tour pela Lapa. Nada apetecia. Manuel & Juaquim foi a escapada, depois de voltas em Copa; "Velho filho da puta! Tinha que fazer um curso de corte e costura porque dirigir táxis não é o forte dele!", tutu estava impossível. Depois da comilança, as areias. Sessão lounge.

7:43 PM Comments:

Segunda-feira, Fevereiro 07, 2005  
André B. passa da metade do livro de Lolita Pille e, talvez influenciado pela insatisfação da personagem Manon (como se ele já não fosse um insatisfeito por natureza), crê-se melancólico ("De novo?!", debocha tutu), para no momento seguinte se questionar sobre sua insistência em não aceitar que está muito bem, obrigado, apesar de estar só, single e sem nenhum tipo de commitment. O fato é que isso é um tanto assustador para quem está acostumado a reclamar constantemente da vida, ela que nunca lhe dá uma oportunidade de ser amado incondicionalmente e vice-versa. Que o diga, Closer, com seu emaranhado de amores frustrados, traições e aquela velha crença de que nossa felicidade deve estar no outro, não em nós mesmos. , companhia igualmente virginiana e desprendida, compartilhava a mesma liberdade blasé que lhes permitia correr alucinadamente "de shopping a shopping", como dizia o taxista.
5:48 PM Comments:

Domingo, Fevereiro 06, 2005  

12:37 AM Comments:

 
Primeiro dia de Carnaval. André B. cede aos apelos de tutu e lá se vão para Ipanema. Apesar do dia tremendamente chuvoso, as pessoas enchiam as ruas da cidade sorridentes e alcoolizadas, talvez para esquecer os bolsos com as moedas contadas e as devastações universais, tsunamis... Chegando à concentração da Banda, o horror: aquele povão todo abraçado, suado e exalando um odor bizarro e lúbrico deixou-lhes estatelados. "Ai, ai, ai, ai", esquivava-se tutu dos foliões, enquanto pulava aqui e acolá poças de uma lama grotesca, formada certamente pela poeira e a chuva que caía no asfalto, batizadas pela cerveja derramada pelos foliões, como que em um ritual primitivo de adoração a algum deus chifrudo. Um test-drive do que deve ser o inferno!
André B. puxando tutu pelos pulmões, lacrimejante e traumatizada, chega esbaforido a Letras & Expressões. "Era só o que me faltava esse lugar estar fechado por causa do Carnaval!" Mas a zona sul ainda tem lá sua graça e a livraria, uma das mais blasé da cidade, estava open para a felicidade geral da dupla e de algumas personas hype que se encontravam ali. "For God"s sake, um chocolate quente!", implorava tutu ao garçon. André B. passando a mão em um dos livros na prateleira, quase se esqueceu de pedir algo. "E bolo de cenoura, para acompanhar." Ele eventualmente beliscou o lanche de tutu, mas realmente se interessara por Bubble Gum (voltaria para casa lendo-o no trajeto), o segundo livro de Lolita Pille, uma jovem e promissora escritora francesa sobre a qual havia lido algum tempo atrás. Depois de enviar algumas mensagens via mobile, saíram os dois, de sacolinha na mão. A chuva não se importou muito.

12:22 AM Comments:

Domingo, Janeiro 30, 2005  

1:54 AM Comments:

 
Agitos. Dois sábados seguidos com a família de Leo.
No primeiro, festa de debutante de uma de suas primas, Viviane. André B. nem sabia mais como se comportar numa dessas festas. Segundo tutu mesma dizia, "desde que o brasileiro se esqueceu do gosto que é ter boa comida na mesa e algum dinheiro de sobra, as festas foram erradicadas". O que não se erradica mesmo é essa safada metida à besta, pensa André B. A companhia de Martha e Nathara, sua filha, atenuaram bastante o clima inevitavelmente kitsch da festa: as depravações sugeridas pelo funk carioca como música (???) de fundo se contrastavam com as cabeleiras brancas (muitas devidamente tingidas) da maioria dos presentes. Era como se estivessem em um jardim branco... bem onírico, né? Liliane, amiga de Leo, garantiu boas risadas. André B. e tutu tinham ambos uma queda por mulheres aparentemente confiantes. E coquette, é claro! Uma chuuuuuva que não parava, a não ser na hora de ir embora (thanx God!), conferiu a André B. um tom melancólico, passado desapercebido por entre os flashbacks de Mariah Carey e a voz estridente da cerimonialista. "Ei, essa palavra existe?", tutu acaba de perguntar, debochada. Insone.
Hoje, casamento de Vanessa, irmã de Viviane. Cerimônia simples na Paróquia Santa Barbara. A pergunta que não quer calar: por que as pessoas cismam que Kenny G é boa música para casamentos, festas de quinze anos e similares? tutu se decepcionou duplamente: a falta de flashes perdia de longe para um resquício de emoção romântico-mexicana de André B. ao fotografar os noivos no altar, a pedido de D. Nadja, mãe de Leo. Até ele mesmo, André B., se surpreendia: logo aquele que não perdia uma oportunidade sequer de expressar o quanto desacreditava na tal "instituição falida", como se costuma dizer. After-wedding em restaurante, à mesa com os familliares e amigos mais chegados, tutu se sentia menos ultrajada em seu egocentrismo. Liliane, madrinha com ares de diva italiana, não deixou por menos: seus comentários davam material para meses de Zorra Total! Acho que o programa de sábados à noite causaria menos suicídios com a participação dela. Aproveitando a saída de Leo (correndo para os braços de seu amor... nossa, acho que tutu vai ter uma síncope com tal citação!), it was time to go!

1:26 AM Comments:

Segunda-feira, Janeiro 24, 2005  

6:46 PM Comments:

 
tutu estava uma chatice só na fila para o mezanino do SESC Copa: André B. saiu de casa sem sequer beliscar algum lanche.
"Soma" à parte (uma apresentação morna, beirando o chato), a maior diversão não foi o cine, mas sim as trocas de olhares entre André B. e um cara indecentemente acompanhado na platéia. Ni ria e, afetadíssima com suas mãozinhas no ar, fazia pose e babava com os dotes dançantes dos bailarinos.
McDonald's. tutu ainda não consegue entender tantos contrastes: da dança contemporânea à gororoba trash e nem um pouco fast. Sessão barraco em mais uma fila. André B. surpreso, achava que isso só acontecia com necessitados em busca de cesta básica. Tolinho, mal sabe que Copa já foi favela chic. Hoje em dia, hummmm... apenas um resquício. Uma derrota que só perdia para as McBibas se insinuando para André B. enquanto tutu fazia biquinho. "Pleeeeeeease!" Ahhh, e claro, o McChicken sem alface foi a chave de ouro. As areias, testemunhas.

6:33 PM Comments:

Sexta-feira, Janeiro 21, 2005  

10:42 PM Comments:

 
Preguiçoso, André B. compra ingressos para "Soma", novo espetáculo de João Saldanha. Alguns quarteirões depois, reencontra Fabitcho, amigo de faculdade muito próximo, companheiro de futilidades e delírios fashion juntamente com Clau (a encontraria mais adiante em um café... surpresa arquitetada pelo amigo). Usando lentes de contato coloridas (azuis, reparou tutu) e cabelos ao natural, sem as usuais intervenções das tinturas, Fabitcho desfiava seus últimos dias em um relato animado e cheio de frescor, prato cheio para amantes de seriados juvenis americanos, a la The O.C..
Clau, com um look completamente I'm at home watching TV, aparece no café. Dança passa a ser o tópico predominante. Tendo recentemente dançado em temporada paulista com Saldanha, ela fala sobre o processo criativo da peça da qual fez parte. André B. ouve atenta e saudosamente, afinal desde que pendurou o crachá de Cultura teacher no peito não sabia mais o que eram ensaios, palco e o thrill de estar em cena sob os holofotes e exposto aos olhares de uma platéia avida por ser seduzida.
O metrô recebe um André B. mais pensativo do que o de costume. Esses encontros e reencontros com a dança não raro o atingem consideravelmente. Ele enxerga em seus amigos a fragilidade da máscara social que ostentam, a realidade de artistas financially fucked que tentam extrair um charme blasé de sua situação desconfortável e preocupante. Eles lhe serviam de espelho; exibiam sua própria tentativa infrutífera de criar uma persona exuberante e bem resolvida. tutu não se manifesta, como que em respeito a lembranças e experiências anteriores ao que ela poderia chamar de "seu relacionamento com André B."

10:20 PM Comments:

Quarta-feira, Janeiro 19, 2005  

8:08 PM Comments:

 
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